Provérbios 25.28


Durante o reinado de Ezequias (Pv 25:1; 2 Cr 29-33), é relatada uma das diversas reformas empreendidas por Deus ao longo da história. Na sucessão do ímpio rei Acaz, a casa do Senhor foi reaberta (2 Cr 29: 3) e purificada (2 Cr 29: 16); o povo se arrependeu dos seus pecados e converteu-se de seus caminhos idólatras; a Palavra de Deus, em todo seu esplendor (Sl 19: 7), pureza (Sl 19: 8-10), singularidade (Dt 4: 8) e eficácia (Is 55: 10-11) voltou a assumir a centralidade da vida dos santos, os quais, em resposta ao conhecimento deste suficiente testemunho da suprema justiça e misericórdia de Deus, transbordaram em adoração e alegria (2 Cr 29: 25-30). Post tenebras, lux!


Isso não impediu que o povo passasse por provações; em breve, eles sofreriam o cerco dos assírios, um dos povos mais cruéis que já existiu (já ouviu falar em “empalamento”? Eles inventaram!). O cerco era uma estratégia militar muito comum: o exército inimigo cercou os muros de Jerusalém, impedindo a entrada de suprimentos, com vistas ao enfraquecimento do povo e/ ou sua rendição. Mas pense o seguinte: imagine que, nesse momento, os muros erigidos (2 Cr 32: 5) repentinamente despencassem, como as muralhas de Jericó (Js 6: 20)? Uma cidade sem muros, especialmente nesse contexto, estaria debilmente exposta às circunstâncias e não haveria quaisquer possibilidades de resistência. Ela não teria condições de prosperar e se desenvolver em sua estrutura. Consegue imaginar? O Senhor quer que saibamos que somos assim quando não temos domínio próprio.


Gosto de meditar sobre a substância de um conceito definindo, primeiramente, o que ele não é: ter “domínio próprio” não é ter “um bom temperamento”; podemos falar mansamente e, mesmo assim, nos assemelharmos a demônios, bem como podemos externar uma falsa piedade (Mt 23: 25-26). Uma tradução semelhante do versículo em referência poderia ser: “Como cidade derribada, que não tem muros, assim é o homem que não contém (no sentido de “ reter ” ou “ controlar ” (Gn 4:7) o seu espírito.” Resumidamente, o problema é o seguinte: embora a gloriosa vitória conquistada pelo Rei dos reis na cruz nos garanta plenamente que, aos olhos de Deus, somos justos como seu Filho (Gl 3: 26-27), ainda há uma velha natureza que insiste em “rodear os muros” (Gl 5: 17). E é sempre bom lembrar: não há inimigo mais ardiloso (Jr 17: 9-10; Rm 7: 11), vil (Rm 7: 13) e diligente (Hb 12: 1) do que esse!


A impressionante capacidade que nosso pecado tem de obscurecer a nossa mente; extinguir nossas convicções; destronar a nossa razão; bloquear o poder e as influências de quaisquer considerações que se levantem com vistas ao seu impedimento, por meio das mais infundadas justificativas; e irromper inflamado para a sua realização causaria inveja aos assírios, aos babilônios, aos nazistas ou a qualquer exército perverso que quisermos imaginar. Talvez seja saudável perguntar: o que tem nos diferenciado dos ímpios em nossa conduta cotidiana?


A que natureza de paixões temos nos deixado entregar, as quais diligentemente nos esforçamos a extirpá-las de nossas consciências (Hb 12: 4)? Irmãos, se quisermos ser sal e luz nessa cultura mergulhada em trevas (Ef. 2: 2-3), marcada por “ lacrações”, “cancelamentos”, porfias, lascívia e toda a sorte das mais inimagináveis torpezas, precisamos estar familiarizados com os meios e astúcias dos casos de “sucesso” do nosso pecado e utilizar dos meios os quais, em Cristo, recebemos transbordantemente (Rm 5: 1-5; Gl 5: 22-23), para que possamos diligentemente resistir às inclinações de nossa concupiscência e glorificar o nome de Deus, em nosso dia-a-dia, refletindo raios difusos de seu caráter perfeito (Gn 1: 27; Lv 11: 44; Rm 12: 1). Tenhamos fé; a obra que Ele começou, certamente, irá terminar (Fp 1: 6).


Oração: “que cresçamos no amor de Cristo em plenitude de conhecimento e em toda a percepção, para que nenhuma circunstância nos impeça de glorificá-Lo”.

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